domingo, 16 de abril de 2017

10 Dicas para uma voz saudável!

Dicas da Terapeuta da Fala Soraia Ibrahim

Hoje, Dia Mundial da Voz e porque "a voz é o espelho da alma", a Fale Connosco traz-lhe algumas dicas de como manter a sua voz saudável.

1. Hidratação

Beber água é muito importante para nós e também para o nosso aparelho vocal dado que, as pregas vocais precisam de estar lubrificadas. Contudo, é importante referir que, ao bebermos água, esta não entra em contacto direto com as pregas vocais (ou iríamos tossir até conseguirmos expulsá-la), hidrata sim todo o corpo. Para hidratação direta, em determinadas situações, recorremos à inalação (“vapores”).

2. Alimentação saudável e equilibrada

O sistema que compõe a produção vocal é composto maioritariamente por músculos, as próprias pregas vocais são músculos, e os músculos precisam de "alimento" que vem do que comemos, hidratos de carbono, proteínas...
Por outro lado, lembremo-nos ainda de um grande inimigo nosso, e aliado da alimentação desequilibrada, o refluxo, a azia... Estes são problemas que vão “massacrar” o aparelho vocal com a constante agressão do ácido e podem ter sérias consequências a curto e longo prazo na nossa voz.
É importante ainda não abusar do café, essa bebida tão milagrosa mas que além de favorecer o refluxo, tem um efeito desidratante.

3. Exercício físico

Faça exercício físico: mente sã, corpo são e voz maravilhosa!

4. Cuide das suas alergias

Quando falamos mais nasalado (seja constipados ou com alergias) somos logo questionados: o que se passa contigo? Essa alteração da ressonância é facilmente detetada pelo ouvido. Se pensarmos que o ar é o combustível para a produção da voz, e que as alergias comprometem a componente respiratória facilmente percebemos porque as alergias não ajudam.

5. Medicação só com indicação médica

Na sequência de variadas situações, como as alergias, dor de garganta ou até dor muscular na sequência de uma ida ao ginásio, temos tendência a automedicar-nos. É importante saber que a medicação tem consequências na voz e pode contribuir para secar as mucosas, o que deve ser tido em consideração, só o médico poderá avaliar corretamente o benefício de determinada medicação.

6. Maçãs

Já ouviu a expressão “One apple a day keeps the doctor away”? A maçã tem efeitos positivos pois atua ao nível das secreções que afetam a voz pelas suas propriedades.

7. Stress e emoções

O stress faz mal a tudo! Se estamos irritados, mal dispostos, ou felizes, a nossa voz demonstra-o a toda a gente, mais uma vez "a voz é o espelho da alma", mas não são apenas os eventos negativos que causam stress, os positivos também na medida em que implicam mudanças e adaptações da nossa parte. Quando somos afetados pelo stress, reagimos física e emocionalmente. Mudanças físicas podem incluir aumento da tensão muscular, dor de cabeça, dificuldades a dormir, problemas digestivos...normalmente não lhes damos importância, a não ser que persistam.
O nosso aparelho vocal é “alimentado” pelo Sistema Nervoso Central, que nos permite o controlo voluntario dos movimentos e permite-nos ainda falar e cantar, e Sistema Nervoso Autónomo que regula a função dos órgãos internos como engolir, os batimentos cardíacos, pressão arterial, digestão... O Sistema Nervoso Autónomo está também ligado ao centro das emoções, no nosso cérebro, assim permite-nos perceber/detetar mudanças de estados de espirito nos que estão à nossa volta, inclusivamente tons de voz. Então em determinadas situações o nosso corpo reage, com aumento de tensão muscular, aumento dos batimentos cardíacos, suores, boca seca entre outros (Sara Harris, 2015).

8. Dormir bem

Nada como uma noite bem dormida, descansamos, repousamos, acordamos com mais energia, o que reflete também na nossa voz .

9. Postura adequada

Uma má postura compromete a produção da voz. Passar muito tempo ao computador, por exemplo, focados num monitor, muitas vezes a olhar para baixo, ou com projeção da cabeça, com rotação de ombros para a frente e assim conseguir apoiar os braços vai levar o corpo a assumir esta nova posição que não é tão ideal para andar (Titze & Abbot, 2012). Muito tempo na mesma posição, causa tensões nos sítios errados, pescoço, ombros... Tudo isto afeta a posição do aparelho vocal, a forma como respiramos...e, consequentemente, a nossa voz.

10. Não abusar da voz (abusos vocais)

Falar alto, gritar, pigarrear...formas de maltratar a voz. Por vezes é preciso, mas atenção aos estragos que podem fazer, seja no momento, seja a longo prazo.
Na era das novas tecnologias há imensas aplicações úteis a que poderão recorrer para ajudar controlar o volume de voz e medir o ruído da sala, tão importante para os professores por exemplo.

Cuide da sua Voz!

terça-feira, 21 de março de 2017

Tem trissomia 21... E agora?

Autor: Terapeuta da Fala Andreia Batista


Atualmente, com os meios de diagnóstico mais evoluídos é possível detetar-se alterações no feto durante a vida intra-uterina. Uma delas diz respeito à Trissomia 21 (T21), também conhecida como Síndrome de Down.
Quando os pais recebem a notícia que o seu filho é portador deste síndrome, podem sentir-se perdidos, no meio de tantas incertezas. Reconhecem os traços visíveis característicos mas... “E agora? Como será o futuro do meu filho?”. Esta é a pergunta que muitas das famílias têm e que, por vezes, no meio do luto da “criança perfeita”, temem a resposta.
Síndrome é um conjunto de sinais ou características, logo, as pessoas portadoras desta condição possuem características que as unem entre si. A sua etiologia está numa alteração cromossómica que faz com que exista um cromossoma 21 a mais – Trissomia 21. Os cromossomas são partículas microscópicas das células do nosso corpo, que transportam toda a informação das características que temos. O cariótipo humano é constituído por 46 cromossomas dos quais metade são transmitidos pela mãe e, a outra metade, pelo pai. No processo de fecundação há então uma alteração, onde surge um cromossoma 21 a mais, perfazendo um total de 47 cromossomas.
Este cromossoma extra vem trazer características físicas comuns aos seus portadores. Nem todas as crianças têm todas as características e convém realçar que haverá igualmente traços dos seus pais.
A criança com T21 tende a ser mais “molinha” e flexível e possuir uma prega oblíqua nos olhos. Nas primeiras semanas pode ter um aumento de peso pequeno e, futuramente, não ser tão alta como as restantes crianças. Os bebés com T21 costumam ter uma maior prevalência de infeções respiratórias/otites. Estas infeções devem-se, em parte, à tendência para possuírem a cavidade nasal pequena e a língua grande, fazendo com que mantenham a boca entreaberta, respirando através da mesma. Assim, não há filtração das impurezas e bactérias existentes no ar, podendo levar a infeções. Algumas destas crianças podem ter problemas cardíacos, ou desenvolve-los mais tarde. Podem ir desde simples sopros a complicações mais severas.
Outras características como membros encurtados com mãos e pés pequenos e quadrados, cabeça pequena, prevalência de refluxo gastroesofágico e apneia de sono obstrutiva (por exemplo por queda da língua) fazem igualmente parte do conjunto de sinais da T21.
Relativamente ao tónus destas crianças, apresenta-se hipotónico o que, aliado à pouca força muscular, afeta diretamente o seu desenvolvimento motor global e fino. O facto da boca destas crianças ser pequena e de a língua possuir um tónus baixo, observa-se um efeito de macroglossia (língua grande) que pode interferir na aquisição da fala. Como já referido, devido a estas características, tendem a ter a boca entreaberta (por exemplo pela falta de força muscular) e a língua protruída, colocada entre os dentes ou pousada no lábio inferior, fora da cavidade oral.
A Trissomia 21 afeta as várias áreas do desenvolvimento e, relativamente à parte cognitiva, geralmente observam-se défices cognitivos ligeiros a moderados, embora também se verifique, em algumas crianças, um défice cognitivo grave. Geralmente nos três primeiros anos de vida o desenvolvimento social é aquele que sofre menos perturbações, estando o desenvolvimento linguístico fortemente afetado. As grandes dificuldades de retenção da informação verbal levam também a perturbações ao nível da memória. A esta observação acrescenta-se a evidência de que as crianças com T21 têm dificuldades de concentração em períodos médios e longos.
No meio de todas as incertezas da família, por vezes esta não sabe que rumo tomar e o que pode fazer para estimular o desenvolvimento do seu bebé, de forma a colmatar as dificuldades originadas por esta perturbação do desenvolvimento.
Deixo então algumas sugestões/dicas que também podem ser aplicadas aos bebés em geral.
  • Amamentação: Quando começar a amamentar deve manter o bebé o mais direito possível e colocar o bico do peito por cima da língua, evitando que a língua fique junto ao céu da boca e impeça a sucção. Os bebés com T21 geralmente são lentos a mamar, pelo que não deve de apressar o momento de alimentação.
  • Controle da língua: Para exercitar os músculos da face e da língua deve brincar com o bebé fazendo caretas e barulhos divertidos o que também ajudará no desenvolvimento dos sons e da fala. Tenha especial atenção à limpeza do nariz, que deve de andar sempre desobstruído, de forma a evitar a respiração oral que leva a que o bebé permaneça de boca aberta e com a língua protruída. Pode sempre fazer pequenos jogos em que tenha que lhe empurrar a língua para dentro da boca repetidamente.
  • Desenvolver os movimentos: Desde cedo, nas primeiras semanas de vida, encoraje o bebé a mexer-se e a conhecer o que o rodeia. Leve-o a experimentar diversas texturas diferentes como mole/duro ou macio/áspero. Toque no bebé com frequência com massagens, cócegas e mimos e faça jogos com os dedos dos pés e das mãos. Rebole-o de um lado para o outro sobre a cama ou um tapete macio. A variação de sensações leva o sistema nervoso do bebé a desenvolver-se. Coloque guizos ao alcance dos pés para que também possa exercitar as pernas.
  • Coordenação olho-mão e motricidade fina: Tenha objetos apelativos que ele possa ver, sentir e ouvir no campo visual do bebé, quer esteja sentado ou deitado. Assim sentirá a necessidade de tocar-lhes, desenvolvendo assim esta coordenação olho-mão. Mais tarde, invista em atividade de desenvolvimento dos movimentos finos das mãos e dedos (enfiamentos, pintar, cortar).
  • Linguagem: A dificuldade na codificação dos conceitos leva a que seja necessário obter informação de algo de várias vias. Apresente algo à criança por imagens/gestos ou os objetos reais. Comunique com ela utilizando o maior número de vias possíveis. Mesmo que a criança apenas comunique com o gesto e recuse falar, com o tempo irá evoluir. O importante é comunicar e sentir a necessidade de o fazer. Estimule também a leitura labial falando próximo da criança e com uma articulação mais lenta e pausada.
  • Escrita/leitura: Aquando da alfabetização, a aprendizagem da escrita vem ajudar as perturbações linguísticas pois esta vem concretizar, sob forma visual, a abstracção da linguagem. A linguagem passa a ter uma forma e torna-se mais perceptível e mais fácil de aprender. A informação, pelo facto de estar escrita, permanece no tempo e permite que a criança leve o tempo que seja necessário para a assimilar, ao contrario da linguagem oral. Além disso, a prática da leitura ajuda a melhorar a articulação e a fonética. Por estas questões, este período deve ser bem acompanhado por parte dos cuidadores, estimulando e criando momentos para que a criança ponha em prática o que vai aprendendo.
São apenas algumas sugestões que pode ter em conta durante o desenvolvimento do bebé/criança mas, caso tenha dúvidas e questões a colocar, procure o médico de família/pediatra de forma a esclarecê-las, assim como profissionais de áreas mais específicas consoante as suas dúvidas.
É fundamental que desde cedo a criança com Trissomia 21 beneficie do acompanhamento de uma equipa multidisciplinar e que conforme o seu perfil funcional sejam dados os apoios mais adequados (Terapia da Fala, Terapia Ocupacional, Psicologia,...) para que a criança consiga desenvolver todo o seu potencial e ultrapassar os obstáculos que vão surgindo.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

O meu filho não quer comer... e agora?

O meu filho não quer comer... e agora? (com questionário)

São muitos os pais que se deparam com situações problemáticas na alimentação... quando os seus filhos não querem comer ou deixam de comer determinados alimentos... A recusa continua, a situação agrava-se e a determinada altura parece não haver solução. Em muitas ocasiões pode mesmo levar ao isolamento, ao evitar de situações sociais como um jantar com família ou amigos...
Na verdade, são muitos os motivos que podem despoletar um evitamento ou recusa alimentar e por isso esta não é uma situação em que as estratégias sejam “chapa 5” e funcionem com todas as crianças.
Primeiramente é preciso perceber o porquê (e o mais precocemente possível)! Qual a razão desta recusa alimentar?
As situações de recusa alimentar podem ter diversas origens, entre elas...
  • Situações traumáticas (ex. situações de engasgamento);
  • Alterações de processamento sensorial (ex. defensividade oral);
  • Alterações na motricidade orofacial (que podem, por exemplo, ser a causa de uma mastigação ineficaz);
  • Relações pais e filhos ...
Só analisando a resposta ao “Porquê?” poderemos perceber quem serão os profissionais que o poderão ajudar e de que forma, delineando então estratégias eficazes e duradouras.
Caso se encontre numa situação em que o seu filho evita ou recusa alimentos, preencha o questionário que aqui disponibilizamos para que o possamos aconselhar da melhor forma.
Qualquer questão fale connosco!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Consultar ou esperar


consultar ou esperar

Artigo publicado em Estrelas e Ouriços (EXCLUSIVO)

Autor: Terapeuta da Fala Andreia Batista

Já deu por si a pensar no desenvolvimento dos seus filhos? Será que o meu filho já devia…? Será que ele está atrasado? Será que está tudo bem? 
Pois é, é frequente o surgimento de dúvidas acerca do desenvolvimento… A questão que se coloca é então: consultar ou esperar? Consultar para apaziguar as incertezas ou fundamentar a espera no ritmo incerto do desenvolvimento infantil?
De facto, o desenvolvimento infantil é pautado de alguma variabilidade tendo em conta características ambientais, genéticas e até da própria criança. Mesmo dois irmãos expostos aos mesmos estímulos podem ter ritmos desenvolvimentais diferentes. Mas, até que ponto uma alteração pode ser considerada normal ou anormal? Quando é que as famílias devem procurar ajuda junto dos especialistas ou esperar mais um pouco para ver se as crianças evoluem sozinhas? É a estas perguntas que vamos tentar dar resposta.
O desenvolvimento harmonioso e sem perturbações é um dos grandes objetivos de uma família assim que uma criança nasce. Mesmo durante a gravidez, os seus pais já se questionam se o seu filho será saudável ou não e se terá acesso a todas as oportunidades na sua vida que lhe permitam crescer e tornar-se num adulto de sucesso. Após o nascimento e, não havendo à partida alterações genéticas, neurológicas e/ou motoras que acionem desde logo encaminhamentos para as várias áreas especializadas, a criança irá desenvolver-se fora do radar dos especialistas e conta apenas com o conhecimento da sua família e outras pessoas que interajam com esta no seu dia-a-dia (ex.: amigos dos pais, funcionários da creche/escola, etc). Nesta situação e, caso surja algum sinal de alerta, é frequente ouvir várias versões sobre a necessidade ou não de se procurar ajuda. Em última instância cabe à família filtrar essas opiniões e, junto com as suas próprias dúvidas/certezas, decidir se pede ou não ajuda.
Vários estudos científicos atestam a importância de intervir precocemente, isto é, promover e potenciar o desenvolvimento psicomotor das crianças que já possuam algum tipo de perturbação e/ou que se encontrem em situações de risco, de forma a evitar o estabelecimento de uma perturbação ou impedir que a mesma ganhe contornos mais graves. Sabe-se que o desenvolvimento das crianças pode ser modificado por influências ambientais, quer sejam positivas quer sejam negativas e que estas influências podem potenciá-lo ou dificulta-lo. Assim, quando surgem dúvidas no seio das famílias acerca de algum aspeto dos desenvolvimento do seu filho, quanto mais cedo se modificar o ambiente para um estímulo mais positivo melhores resultados se conseguirão obter. Aliado a esta questão surge a chamada “plasticidade do sistema nervoso” que nos diz que o cérebro é mais “maleável” e suscetível à aprendizagem quando a criança é mais nova. Esta plasticidade diminuí com o crescimento da criança, por isso, quanto mais cedo se atuar numa dificuldade, maior é a probabilidade de uma criança corresponder positivamente a essa estimulação. Além disso, diversas alterações no desenvolvimento que não são intervencionadas a tempo poderão, mais tarde, agravar ou potenciar o aparecimento de perturbações secundárias. Uma surdez não corrigida, por exemplo, pode dar origem a um atraso na fala e na linguagem que se pode tornar irreversível mesmo que a surdez seja corrigida mais tarde.
O desenvolvimento infantil é um tema que a maioria das famílias não dominam e é neste aspeto que se pretende dar apoio de forma a ajudá-las na sua decisão, dando a conhecer alguns sinais de alerta que facilmente podem analisar nos seus filhos. 
Muitos destes aspetos surgem, por vezes, por comparação com crianças da mesma idade e é este um dos aspetos principais que os pais devem levar em conta quando analisam os seus filhos. “O meu filho não é capaz de fazer algo, e os seus pares já conseguem?”.

Info TF Small
Um dos grandes marcos do desenvolvimento é sem dúvida o aparecimento da linguagem e da fala que surge entre o primeiro e o segundo ano de vida e geralmente aos dois anos, uma criança deverá tentar juntar duas palavras numa frase, mesmo que as palavras ainda não sejam ditas corretamente. Depois começam-se a observar bastantes omissões ou substituições de fonemas na fala. Estas alterações são normais e fazem parte do desenvolvimento das crianças mas devem ir desaparecendo com o crescimento. Com a complexificação da linguagem e do raciocínio às vezes as crianças tendem a apresentar sintomas típicos de uma gaguez. Se, por exemplo, após os quatro anos a criança ainda apresentar várias alterações quer na percetibilidade da fala quer na fluência da mesma, estas devem de ser um dos grandes alertas para os pais procurarem ajuda.
Info TO Small

Durante as aprendizagens pré-escolares as crianças são expostas a inúmeros estímulos. É aqui que quer os pais quer os educadores conseguem detetar algumas dificuldades que podem ser sugestivas da presença de uma alteração/perturbação. Aspetos como a dificuldade em correr, saltar, ou desempenhar alguns jogos típicos, a dificuldade em usar alguns dos utensílios na sala de aula (ex.: tesoura, lápis, puzzles, brinquedos) ou até dificuldades na concentração, realização dos trabalhos mais estruturados e memorização do conhecimento que lhe é transmitido. Situações como a dificuldade em realizar tarefas do dia-a-dia como o vestir/despir ou o apertar os botões do casaco e atar os atacadores devem ser tidos em conta e alertar os pais. Com a exposição à escola ou outros ambientes diferentes do contexto familiar as crianças podem demonstrar alguma dificuldade em cumprir ou a desafiar constantemente o adulto fazendo birras excessivas. Aqui os pais devem ponderar se estas são ou não fundamentadas e se as conseguem controlar, caso contrário será benéfico que consultem um especialista no sentido de aprofundar as razões da mesma e dar estratégias aos pais para ultrapassarem estas questões.
Info Psi Small

Mais tarde surge outro grande marco do desenvolvimento com a entrada para o primeiro ciclo e com a aprendizagem da leitura e da escrita. Aqui, as crianças experienciam métodos de ensino diferentes do que estavam habituados e o ambiente mais formal pode ser um obstáculo à sua aprendizagem. Crianças que não se conseguem concentrar, que apresentem dificuldades na leitura e na escrita quer sejam observadas através de erros constantes ou na caligrafia quer através de sentimentos negativos perante estas atividades devem de ser observadas por um especialista para detetar possíveis alterações atempadamente e impedir que as mesmas se instalem e sejam irreversíveis. Uma vez que nesta fase é suposto que as crianças já tenham um nível avançado de consciência das suas dificuldades/capacidades, alterações a este nível poderão afetar a criança no domínio emocional, levando por vezes a um isolamento, sentimentos de tristeza, frustração e/ou agressividade graves que podem pôr em risco todas as suas aprendizagens escolares e a relação que a criança tem com a escola e seus professores.

Em suma, é normal que as famílias tenham dúvidas acerca do desenvolvimento das crianças e que estas sigam ritmos diferentes. É preciso saber ponderar quais as implicações que as dificuldades podem trazer para o desenvolvimento e procurar a ajuda dos especialistas quando surgem incertezas pois só assim poderemos promover um desenvolvimento harmonioso das nossas crianças e saber como estimular da melhor forma em cada momento.

Bibliografia

  • SIM-SIM, Inês. Desenvolvimento da Linguagem. Lisboa: Universidade Aberta, 1998
  • PENÂ-CASANOVA, J. Manual de Fonoaudiologia – 2ª edição. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997
  • VITTO, Márcia M. P., FÉRES, Maria C. L. C. Oral communication disturbances in children. Ribeirão Preto: Medicina, 2005; 38 (3/4): 229-234
  • Pimentel, Júlia V. Z. S., Intervenção Focada na Família: desejo ou realidade. Secretariado Nacional para a Reabilitação e Integração das Pessoas com Deficiência, 2005